Eutanatos

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“Por que você se agarra tão firme em si mesmo? Isto é apenas uma casca, e as cascas se quebram. Seu espírito é que é o imortal verdadeiro.”

A morte não é o fim, a morte é um fim. Não há muito de bom em uma existência sem um propósito, e ainda menos em uma existência que traz a dor para tudo em que toca. Melhor acabar com este fio e deixar que um novo tome o seu lugar. A Trama – o entrelaçamento dos fios da realidade – formam uma imagem grande, mas o sofrimento e a tristeza estragam esta imagem. Sua responsabilidade é apoiar o mundo e desempenhar as funções necessárias para libertar aqueles que só trazem ou conhecem o sofrimento. É um dever, e não uma diversão.

Muitos Eutanatoi (como eles se denominam) depositam uma grande confiança na probabilidade e no destino. Uma vida pode depender de um jogo de cara ou coroa – se ela não ocorrer do jeito que você quer, então o destino não quer que isto aconteça. Outros Eutanatoi podem usar mágika, dispositivos e lógica para determinar se uma alma pode ser resgatada, ou se é melhor acabar com sua vida agora e permitir que ela tenha a chance de uma existência mais satisfatória através da reencarnação.

Eutanatoi acreditam na Roda do Destino – que os seres passam por muitas existências e vidas, rumo a cumprir seu propósito final. Uma pessoa que fique presa em um ponto da Roda, que se recusa a avançar em direção ao seu objetivo, desacelera a Roda para todos.

Nem toda a mágika dos Eutanatos envolve assassinato, um ou outro – na verdade, se uma situação pode ser curada sem derramamento de sangue, tanto melhor. Lembre-se que o seu objetivo não é a morte, mas a cura – separando o material doente dos saudáveis, de modo que o saudável possa prosperar. Melhor cortar um membro infectado do que deixar todo o organismo morrer.

Seu foco não está apenas sobre um ou outro indivíduo qualquer. Eles estão plenamente consciente das consequências do que fazem, e cada vez que estes magos da morte tiram uma vida, devem ter a certeza de que é a coisa certa a se fazer. A escolha é definitiva, e as pessoas que ficam precisarão viver o resto de suas vidas com a perda da vítima – não é algo fácil de se lidar. Compreender as consequências e os benefícios da Boa Morte – a morte que cura, o fim que traz novos começos – é vital.

Há uma razão para os Eutanatos prestarem tanta atenção às emoções, cálculos e terem certeza de suas ações: Jhor. Todos os magos acumulam Ressonância de suas ações, mas os Eutanatos em particular acumulam Jhor quando negociam com a morte. Jhor é a mácula da morte, um sentimento de morte e morbidez, uma obsessão com a morte que pode levar a vida de um Eutanatos e deixá-lo como uma máquina mortífera sem emoções. Este é o paradoxo crítico da existência como um Eutanatos: impor a necessidade da morte, se orgulhar do trabalho feito, mas não desfrutar do assassinato em si. O Eutanatoi não pode saborear a justiça, não pode se rejubilar de uma morte bem levada a cabo, para que não se perca na atração da morte, a atração da Jhor. Mas os Eutanatoi estão bem conscientes da ironia – por matar monstros, se tornam monstros. Entretanto, não é raro serem vistos como meros assassinos frios pelas outras Tradições. Paciência.

O Chodona

A nomeada Roda da Lei de Oito Raios ou Chakradharmasamhita, o Chodona foi composto na primeira Samashti em 1314. Ele marca a primeira aparição dos Eutanatos como Tradição. Na Primeira Convocação, os antigos da Tradição anexaram comentários e esclarecimentos que se tornaram a base da lei, das crenças e da ética dos Eutanatos. Os princípios básicos (chamados de Oito Raios) do Chodona estão abaixo.

Preâmbulo
Diante dos olhos do céu escrevemos este código: Nós, que sabemos da dança da vida e da morte, que fomos escolhidos para proteger a Roda do mundo, declaramos diante de todos os poderes presentes que esta é a nossa lei, para ser considerada sempre sagrada.

Prevabhnava
Testemunhamos a existência do Ciclo de nascimento, morte e renascimento que impregna o cosmo com seu ritmo. Testemunhamos que as almas da humanidade e todos os seres animados são conduzidos através desse Ciclo, em direção a um fim eventual. Testemunhamos que este Ciclo é a Lei do universo. Juramos apoiar este Ciclo, e evitar sua estagnação ou corrupção.

Hiranyagargha
Acreditamos na unidade fundamental de tudo que existe, que a Criação nasce de uma fonte original Una, à qual ela retornará. Afirmamos também que todos os seres animados carregam em si a semente pura desta fonte original, não importa quão corrupta sua casca externa possa ser.

Kala
Declaramos que a Decadência e a Entropia são partes do Ciclo natural, que todas as coisas devem eventualmente virar pó assim como retornar ao ventre do universo. Aceitamos isso como parte de nossa existência e juramos que não nos causaremos sofrimento desnecessário numa batalha fútil contra esse princípio. Ao invés disso, empunharemos a Roda do Tempo infinita e a Teia do Destino secreta como nossos aliados na defesa da estrutura do universo.

Gopaya
Ganhamos nossa compreensão e poder para um propósito: sermos guardiões da humanidade e do mundo. Esse é o nosso dever sagrado do qual nos desviamos apenas pela dor da morte e pela perda de nossas almas. Protegeremos a Roda e aqueles presos a ela, independente do perigo às nossas existências mortais ou a dor que isso possa nos causar.

Sadhana
Ninguém pode permanecer puro sem ter o controle dos sentidos e do espírito. Assim, juramos buscar nossa evolução espiritual. Praticaremos os ritos, cantaremos os cantos sagrados e nos sujeitaremos à provações para fortalecermos o corpo e a vontade. Resistiremos às tentações do desejo, não importa a forma na qual elas se apresentem para nós.

Daya
É impossível para nós completarmos nosso dever se fecharmos nossos corações ao sofrimento do mundo à nossa volta. Tentar tal coisa seria abrir nossas portas à corrupção e ao mal. Desse modo, nunca devemos fechar nossos olhos para a dor dos outros ou para a dor que nossas ações possam causar.

Tyaga
Já que a ação feita com prazer e ganho pessoal carrega consigo o risco da corrupção, devemos abrir mão de tal ação. Nosso dever deve ser feito em nome do cosmo e oferecido em sacrifício ao cosmo. Absternos-emos de ações que são criadas puramente pelos nossos desejos, pois tais ações ameaçariam nossas almas e nossos deveres.

Diksha
Ninguém pode adentrar adequadamente em uma nova vida sem uma morte nem servir o que não se compreende. Todos que desejem se unir a nós, como parte de seus rituais de iniciação, antes de receberem seus nomes, ou seus mantras, ou suas ferramentas sagradas, devem passar pelo outro lado da vida. Devem se embrenhar no ventre da morte e retornar a nós antes de os considerarmos um dos nossos.

Eutanatos

The Dream is True tatigrellmann